Hoje foi realizada em Gloucestershire, no País de Gales, mais uma edição da tradicional Rolagem Anual do Queijo. A competição consiste em jogar ladeira abaixo um queijo de uns 2,5 kg do tipo chedar, que é perseguido avidamente por dezenas de pessoas. Ganha quem chegar vivo ao pé da montanha primeiro. O prêmio: o próprio queijo, oras.
O evento acontece há muito tempo. Há documentos provando que o queijo já era rolado no século 19. Historiadores acreditam que a tradição é muito mais antiga, iniciando até com os primeiros bretões que habitaram a região.
Fica então a pergunta: por que rolamos atrás do queijo? O que leva uma pessoa a passar um ridículo desses, a correr o risco de sofrer uma séria contusão (só por curiosidade, em 1998 a polícia impediu o evento porque no ano anterior 33 pessoas se machucaram)?.
Acho que em primeiro lugar vem a sensação de liberdade. Poucas coisas devem ser tão libertadoras quando disparar ladeira abaixo, sentindo o vento gelado na cara. Mesmo sabendo que a queda é inevitável. É quase como se fosse uma volta à infância, onde o prazer é sempre infinitamente maior que os riscos.
Também tem a ver com a aceitação de um grupo. Afinal, não é todo mundo que pode dizer por aí que já rolou atrás de um queijo. É uma sociedade fechada, onde os membros são cúmplices de um mundo à parte.
E, para a cidadezinha, tem a honra de manter uma tradição. Mesmo em tempos de crise, como no racionamento de comida após a Segunda Guerra, quando o queijo foi substituído por uma roda de madeira.
Ou, no fundo, rolamos atrás do queijo porque é divertido.
P.S.: O campeonato tem um site oficial, com detalhes sobre a disputa. Em uma das provas, um brasileiro ficou em terceiro lugar, ganhando a bagatela de 5 libras. Tem até uma comunidade no Orkut para tratar da rolagem do queijo. E quem quiser ver mais fotos, visite o álbum feito pelo UOL Esporte.
"Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz num hospital de São Bernardo do Campo, a uma estranha criatura, com aparência sobrenaturais, que tem todas as características do Diabo, em carne e osso. O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, tem o corpo totalmente cheio de pelos, dois chifres pontiagudos na cabeça e um rabo de aproximadamente cinco centímetros, além do olhar feroz, que causa medo e arrepios."
Começava assim, extamente 34 anos atrás, uma das maiores lendas do jornalismo brasileiro. Nascia o Bebê Diabo, criação do saudoso jornal Notícias Populares, que até hoje é sinônimo de sensacionalismo.
A história foi criada num plantão de final de semana. Sem nenhuma notícia que prestasse para manchetar, o editor resolveu dar destaque ao nascimento de uma criança com deformidades. É claro que o encanto do NP estava no molho em que tratava este tipo de assunto. E o molho foi dado pelo repórter Waldemar de Paula, que escreveu a "matéria".
O resultado foi o maior sucesso comercial da história do NP. Quando o jornal circulou, naquele domingo 11 de maio, a história já estava esquecida na redação. Entretanto, o encalhe inédito de apenas oito exemplares nas duas mil bancas da Grande São Paulo fez com que os editores resolvessem prosseguir com a história.
No dia seguinte, o NP soltou outra manchete sobre o assunto: Bebê-Diabo desaparece. Mais uma vez a procura foi enorme. E os leitores chegaram a procurar o jornal para dar pistas sobre o paradeiro do tinhosinho.
A história permaneceu na capa do jornal por 27 dias, sendo 16 deles na manchete. Até mesmo o Zé do Caixão entrou no rolo, quando o filho do coisa ruim acabou indo parar no Nordeste!
Mas como toda farsa tem o seu fim, a do Bebê Diabo também acabou. Os leitores passaram a se desinteressar pelo caso e o jornal voltou ao patamar inicial de vendagem. Assim, como surgiu, o demozinho sumiu sem deixar vestígios.
De qualquer forma, a marca que o Bebê Diabo deixou ficou impregnada no NP até a morte do jornal, em 19 de janeiro 2001. Aliás, uma das minhas frustrações foi não ter trabalhado lá. E quem quiser saber mais sobre este que, sem dúvida, foi um dos jornais mais charmosos de São Paulo, pode se deliciar com o fabuloso livro "Nada mais que a verdade - A extraordinária história do jornal Notícias Populares", dos jornalistas Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima.
P.S. Texto originalmente publicado no dia 10/05/2004
O Coringão voltou! Voltou na expectativa da torcida, nas bandeiras penduradas nos carros, nas camisas alvinegras e roxas exibidas com orgulho, nos olhares cúmplices nas ruas. Voltou na massa que enfrenta fila e empurra-empurra, no bando de loucos que faz festa na favela, na fé inabalável das arquibancadas.
O Coringão voltou no sofrimento e no show, mesmo que não tenha tido nem um, nem outro no domingo. Voltou na raça, na entrega, na vontade, como tem feito nos últimos 99 anos. Voltou invencível.
O Coringão voltou com um sotaque gaúcho no banco e outro carioca em campo, mas com uma cara paulistana cheia de dentes no diminutivo. O Coringão voltou em Andrés, em Cristians, em Diegos, em Jorges e em Williams. O Coringão voltou em Fenômeno.
O Coringão voltou em casa, acolhedor. Voltou em energia pura, sem nunca parar de lutar. Voltou altaneiro em chuva de papel picado e fogo.
O Coringão, definitivamente, voltou.
P.S.: Achei excelente a maneira como o Globo Esporte encontrou para contar o jogo. E quem quiser saber mais sobre como foi a partida, leia o relato no UOL Esporte. Ou simplesmente baixe o pôster do campeão.
Vou para Marte. Acabei de incluir o meu nome na lista que será inserida em um microchip que acompanhará o robô Mars Science Laboratory em sua expedição ao Planeta Vermelho em 2011.
Na verdade, isso faz parte de uma ação da Nasa. Quase 120 mil pessoas já se cadastraram. E o país que lidera a lista é o Brasil, seguido de Estados Unidos e Canadá.
Para ter o seu nome incluído no microchip, basta se cadastrar no site da missão para Marte. Você recebe até mesmo um certificado de que está entrando para a história.
Só não ficou claro o que os marcianos vão fazer com os dados (piada fraca detected).
A briga entre o Diego Souza e o Domingos no jogo Palmeiras x Santos no último sábado foi a mais divertida dos últimos tempos. Acho que desde a embaixadinha do Edílson na final do Paulistão de 1999 não acontecia uma pancadaria entre jogadores tão legal.
Vou deixar a hipocrisia para os comentaristas de TV. Briga de jogadores em campo é engraçado. O povo adora ver uma confusão. É como se toda a revolta pela boçalidade cotidiana aflorasse ali no descontrole do outro. E os instintos reprimidos pudessem, de certa forma, serem extravasados.
Isso é bem diferente do que fazem os marginais uniformizados que marcam emboscadas contra os rivais, ou dos pitboys que acham que exibição de força física é um afrodisíaco. Ou da violência que impera silenciosa nos lares do país. Ou da opressão moral a que muitos são submetidos dia após dias após dia.
Mas quando dois marmanjos mais ou menos esclarecidos começam a trocar sopapos diante das câmeras e em frente de milhares de pessoas passa a ser cômico. Afinal, fica evidente a linha tênue entre o autocontrole e o ridículo. E é quase um alívio perceber que quem está sob os holofotes não é você.
Há exatamente dez anos eu me tornava um Estúpido. Foi quando entrei na acanhada sala do Núcleo de Internet da Gazeta Esportiva para o meu primeiro dia de trabalho. Depois de dois anos e meio de faculdade, finalmente eu começaria a sentir o que de fato era o jornalismo.
O caminho não foi fácil. Arrumei uma briga feia em casa porque larguei um emprego registrado com salário de 700 e poucos reais, cesta básica e vale refeição para ganhar apenas a bolsa da faculdade. Mas sabia que era a decisão certa a tomar. E tinha razão.
Para ter alguma renda, fiquei alguns meses ajudando a produzir o Jornal do Dia. Além disso, fiz um freela no Zoyd e até vendi livros na faculdade.
Quando comecei, não conhecia nada de nada. A Internet era uma completa estranha, apesar de ter feito colegial técnico em processamento de dados (estou velho, na época o boom da internet não tinha acontecido).
Mas, com a imensa colaboração dos meus mentores Gera e Cida, logo peguei o jeito da coisa. E comecei a me aventurar em escrever textos e produzir reportagens.
Na época, o Núcleo era uma célula à parte do jornal, com um espírito bem amador (no bom sentido da palavra). Isso rendeu boas histórias, lembradas até hoje, como os balões em Artur Nogueira, o hacker na página do Palmeiras, a estagiária do mês, o gif do careteca ou a colcha de retalhos do Pan de Winnipeg. Bons tempos.
Foi lá que entrei para os Estúpidos, grupo de amigos formado por André Marmota, Adilson Fuzo, Luiz El Loco Fagundes, Fernando Narazaki, Marcelo Sakate, Fernando Pratti, Leandro Rodriguez e Max, entre outros.
Com os Estúpidos, criamos tradições como a Taça Elaine Foster e o Churrasco de Sexta-Feira Santa, além de incontáveis jantares perdulários e conversas madrugadas a dentro.
O tempo passou, eu arrumei um estágio no Diário Popular e depois uma vaga no UOL. De lá para cá foram diversos finais de semana de plantão, três Olimpíadas (uma in loco), duas Copas do Mundo, algumas excelentes viagens e muitas histórias. Acho que um bom currículo nestas Bodas deEstanho.
PS: Na foto, estou entrevistando o Gustavo em Hiroshima durante o Mundial de vôlei de 2006. Infelizmente não lembro quem foi o autor da foto