Lello Lopes
Em São Paulo
Foi uma noite de terror. Para os adversários de Lello Lopes, é claro. Em mais uma atuação fantástica, o Boina derrotou os rivais e conquistou nessa Sexta-Feira 13 o tetracampeonato do World Poker Fifa Championship. Agora, Lello fica a apenas uma vitória de tomar a posse definitiva do Troféu Agepê.
A disputa realizada no mítico Monumental da Pompéia já é considerada a maior de todos os tempos. Afinal, o título só foi definido nas últimas rodadas, em um alucinante ‘totally wild' de dez fichas.
"Nunca vi algo desse tipo. Até 3h15 da manhã todo mundo ainda estava na mesa, com chance de título. Consegui duas boas mãos que me garantiram a vitória. É uma emoção muito grande", afirmou o tetracampeão Lello Lopes.
Completaram o pódio da etapa de Sexta-Feira 13 dois azarões. Sharpen Rodriguez e Roque Santa Cruz. "Mais uma rodada eu ganhava", lamentou Sharpen, aos prantos. "Foi por pouco", choramingou Roque. Leo Mansell, Pedro Marques, Rodrigo Flores e Pedro Cirne também tiveram boas participações.
O ponto negativo da noite foi a ausência de Daniel Pinheirão, campeão da edição passada. Como já está se tornando uma tradição, o detentor do título deu uma desculpa esfarrapada e não compareceu. Pior: de maneira mesquinha, não entregou o troféu para a disputa.
Mesmo assim, a animação tomou conta do Monumental da Pompéia. A rodada começou com seis participantes: Lello, Sharpen, Roque, Leo, Cirne e Flores. Marques chegou logo depois, com o seu já tradicional Pisco e uma trilha sonora fantástica, a base de marchinhas de Carnaval.
O início da disputa foi equilibrado, com Pedro Marques e Leo Mansell largando na frente, seguidos de Lello e Flores. Cirne administrava suas fichas, enquanto Roque e Sharpen tentavam se manter vivos.
A primeira grande jogada foi uma quadra de damas em cima de um full hand de Sharpen. O resultado acabou com as finanças do santista, e ele logo teve que comprar outro cacife.
Enquanto isso, Lello aos poucos foi aumentando o seu rendimento, entrando na briga pelo título com Leo e Maques. Cirne, Flores e Roque, em queda, precisaram comprar um cacife antes do ‘totally wild'.
Às 3h da manhã, o que todos esperavam aconteceu. Na virada da carta para decidir um novo pingo, Cirne baixou na mesa um dez. Assim, cada rodada teria no mínimo dez fichas de cada jogador. Um PIB de país africano só de blind. Impressionante.
Dava para sentir no ar a adrenalina. O suor escorria do rosto dos participantes. O mundo parou para ver a movimentação naquela sala muquifenta. E, pela primeira vez em cinco anos de disputa, alguém ligou para reclamar do barulho.
Alheios a tudo isso, os participantes foram ousados nas rodadas finais. Roque e Sharpen ganharam boas mãos e recuperaram o cacife perdido nas primeiras horas da noite. Já Lello, que chegou ao ‘tottaly wild' na liderança, recebeu cartas ruins (por três vezes seguidas jogou com um 4 e 8) e viu o seu lucro se esvair.
Cirne foi o primeiro eliminado, seguido pelo seu xará Marques. Aí a sorte começou a virar para Lello. Primeiro, ele tirou o couro de Flores, com um Às no river. Depois, amealhou os pingos deixados na mesa. Com uma terceira rodada vitoriosa, o Boina reassumiu a liderança.
Faltando dez minutos para o término do embate, Flores deixou a disputa. O título seria decidido por Lello, Leo, Sharpen e Roque. Seguro de suas cartas, Lello administrou a ficha, enquanto Sharpen e Roque apostavam como vacas loucas.
Na última rodada, Roque deu um all in cego. Com um par de Ás, Lello desistiu de ir. Sem ter muito a perder, Leo pagou as quase 30 fichas. Um flush garantiu a vitória de Roque e o título incontestável de Lello.
"Tenho que admitir, seria injusto se o Lello não ganhasse", disse Flores, com a sabedoria de um tricampeão mundial de pôquer. "Só tenho uma coisa a dizer: ‘mais uma vez não vejo ninguém na minha frente'", completou Lello, o maior campeão de todos os tempos, para o horror de seus adversários.
ATUAÇÕES
Lello Lopes: O Iluminado
Com a precisão de um machado na porta, destruiu todos os adversários. É considerado o melhor de todos os tempos. Um clássico. Genial.
Sharpen Rodrigues: A Hora do Pesadelo
Nos sonhos, ele se chama o maioral. Só nos sonhos, porque quando a situação acontece na vida real acaba levando ferro. E as seqüências só o deixam mais ridículo.
Roque Santa Cruz: O Chamado
Assustou muita gente quando surgiu. De forma inesperada, conseguiu sucesso. Duas vezes. Mas sua fórmula vitoriosa acabou, e agora vive dos louros do passado.
Leo Mansell: O Grito
Pintou como novidade, mas é apenas uma reciclagem de velhos clichês. Às vezes, no grito, consegue assustar os adversários, mas o terror nunca se concretiza para um final feliz.
Rodrigo Flores: O Exorcista
Também é um clássico. Mas não mete medo nas pessoas há muito tempo. Na Sexta-Feira 13 não foi diferente: não assustou ninguém.
Pedro Marques: Death Proof
Tem a grande vantagem de não se levar a sério, de se divertir no jogo. Às vezes acerta em cheio, outras erra a mão facilmente. Destaca-se, sobretudo, pela trilha sonora.
Pedro Cirne: Piscose
O anfitrião mais assustador de todos, mesmo porque é o único anfitrião que se tem notícia. Fez sucesso há muito tempo, quando não valia nada. Tem como marca o pão de glúten, tão medonho quanto uma facada no banho.
Daniel Pinheirão: Anjos da Noite
É tosco, confuso, incompreendido. Fez sucesso num passado recente, mas logo cairá no esquecimento.
Madu Madureira: Pânico
Tentou menosprezar o gênero, dizendo que o Mundial não valia para nada, mas no final queria apenas fazer uma homenagem.
Haroldo Seraza: Plano 9 do Espaço Sideral
O nome até é conhecido, mas ninguém viu.