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    Bebê Diabo


     
     

    O analfabetismo entra em campo

    Que o Brasil é um país de analfabetos, isso ninguém duvida. A taxa oficial de 10% de analfabetismo entre maiores de 15 anos é conversa fiada. Qualquer um com acesso à Intenet vê em blogs e orkuts da vida que o povo simplesmente não sabe escrever ou interpretar textos.

     

    No trabalho, recebo diversos emails de reclamação de internautas. Boa parte é de gente que não conseguiu entender o texto. E olha que estamos falando de textos simples, de esporte (um conteúdo com o qual a maioria está familiarizada). É assustador.

     

    E um texto mal escrito pode criar muita confusão. Foi o que aconteceu neste ano no Campeonato Paranaense. O gênio que fez o regulamento bolou duas fases. Na primeira, os 15 times se enfrentaram em turno único, sendo que os oito primeiros se classificaram para o octogonal final.

     

    Aí deu-se o problema. A ideia era que os quatro times com melhores campanhas fizessem quatro jogos em casa e três fora, enquanto os últimos quatro atuassem três vezes em casa e outras quatro no campo do adversário.

     

    Mas olha o que está escrito no artigo 9º do capítulo II do regulamento: “Na segunda fase do CAMPEONATO, as 8 (oito) EPD (entidade de prática desportiva) classificadas se enfrentam em turno único, com mando de campo da EPD que teve melhor classificação geral na fase anterior do CAMPEONATO”.

     

    Logo, conclui-se que o time com melhor campanha irá fazer os sete jogos em casa, o segundo melhor vai jogar em casa seis vezes, e assim por diante.  A regra é clara, como diria Arnaldo César Coelho.

     

    Mas o Atlético-PR, dono da melhor campanha, precisou ir à Justiça para poder fazer valer o seu direito. Os dirigentes da Federação Paranaense alegaram que houve um erro na confecção da fórmula do campeonato. Houve mesmo um erro. De formação de quem escreveu o regulamento. E de quem revisou. E dos clubes, que assinaram sem ler direito.

     

    Em tempo. O octogonal começou neste domingo. E o Atlético-PR foi o único time que jogou em casa que não venceu. O Furacão perdeu por 2 a 1 para o J. Malucelli, o futuro Corinthians Paranaense.

     



    Categoria: Esportes
    Escrito por Lello Lopes às 00h23
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    Miniconto: O Sonhador

    Adorava sonhar acordado. Morreu dormindo.



    Categoria: Contos
    Escrito por Lello Lopes às 13h13
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    O tempo, realmente, não para

    Estou velho. Essa é uma verdade imutável. E a constatação não se deu por uma visão empírica de que a saúde nem de longe é a mesma ou de que tenho cada vez menos paciência com as pessoas. Tenho provas. Numéricas.

     

    Hoje à tarde passei pela Mooca, a caminho da Vila Prudente (aliás, como a Vila Prudente é longe). O caminho da lojinha até lá me levou de frente ao prédio da ETE Camargo Aranha, a escola onde cursei o colegial entre 1993 e 1995.

     

    Fiz as contas. Aritmética simples. Já vivi mais tempo depois de entrar na ETECA do que antes de ir pra lá. E quase não deu pra sentir.

     

    Ainda me lembro do dia em que entrei no colégio. O diretor, em reunião com os pais, disse que cada aluno custava 5 mil dólares por ano. E eu, vindo dos confins da Penha, me sentindo todo orgulhoso por ter passado no vestibulinho.

     

    Ah, a memória! Lembro que eu nem sabia ligar o computador na primeira aula de computação (o curso era de Processamento de Dados, e eu só fiz porque, entre as opções gratuitas mais ou menos perto de casa, era a melhor). E que o micro era um XT, com aquela inigualável tela verde.

     

    Lembro que tinha uma régua de fluxograma e uma daquelas cartilhas com códigos e comandos de linguagens de programação (cujo nome eu já não sei mais). E que, no primeiro ano, fiz uma programação tosca de um disco voador para um programa de numerologia da feira de ciência.

     

    Lembro que a professora de Cobol (meu deus, ainda se usa Cobol!) era o arquétipo da loira burra, mas que aquele monte de nerds espinhentos pagávamos pau. Assim como para a professora de português (mesmo porque eram as duas únicas professoras que tínhamos).

     

    Lembro que o sonho de todo mundo era chegar logo no terceiro ano para usar os modernos 486s, mas que quando chegou a hora todo mundo já tinha um micro melhor em casa.

     

    Lembro de ter tirado um zerão redondo na prova de Eletrônica Digital, e que a morte do Senna me ajudou a recuperar a nota do bimestre porque deu mais tempo para terminar um trabalho longo e chato.

     

    Lembro também que o professor de Biologia colocava uma música estranha na aula e falava sobre brigadeiros de formiga. E que o último ano foi regado a truco e Legião.

     

    O tempo passou. A escola passou. Os amigos passaram, apesar de encontros esporádicos para churrasco e nostalgia. Mas a saudade volta às vezes. Sobretudo em tardes na Mooca.



    Categoria: Cotidiano
    Escrito por Lello Lopes às 22h02
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    All in

    A mão suada alisou as cartas, sem coragem de virá-las. O clima no apartamento apertado do centro estava abafado. E ele mal conseguia respirar, engasgado pelo cheiro do charuto barato. Já havia perdido muito dinheiro na noite, coisa que nem a garrafa vazia de uísque ao seu lado o fazia esquecer.

     

    Agora, tinha poucas fichas e pouca esperança. Nunca fora um grande jogador. Em uma ou duas noites de sorte, conseguiu sair vencedor. Na maioria das vezes, terminava a jornada sem grandes perdas. E ia comemorar com prostitutas baratas. Mas hoje era diferente. As cartas simplesmente não vinham. Um par de valetes foi a sua melhor mão na noite. Pouco, muito pouco para quem apostou tão alto.

     

    Enquanto pensava nas chances perdidas, acariciava as cartas à sua frente. Um toque sensual, tenro, carinhoso, primeiro com o indicador, depois com o dedo médio, como se quisesse chamar a sorte de canto para uma conversa. E repetia o ritual, tantas vezes quanto fosse necessário, até ter sua vez de jogar.

     

    E a vez chegou. Como um ladrão, olhou para os lados para ver se não estava sendo observado. E puxou a primeira carta, um ás de espadas. Um arrepio gelado subiu-lhe pelas costas, e se transformou em tremor quando viu que a segunda carta também era um ás, de copas.

     

    Fez um esforço sobre-humano para se manter impassível. Mas não conseguiu controlar a vontade de arrumar os óculos sobre o nariz, como sempre fazia quando estava excitado.

     

    Com o melhor jogo nas mãos, não quis assustar os adversários. Pegou dez fichas azuis e colocou no centro da mesa, apostando mil dos dez mil reais que ainda sobrara. Já tinha perdido oitenta mil, e via agora a grande possibilidade de recuperar boa parte do dinheiro.

     

    Outras cinco pessoas estavam na mesa. O gordo ao seu lado, desconfiado, logo jogou as cartas foras, mas a moça loira com sotaque gaúcho, o estrangeiro com chapéu panamá, o vereador de Pindamonhangaba e o senhor de barba grisalha cobriram a oferta e seguiram no jogo.

     

    Se a situação já estava boa, melhorou ainda mais no flop: um rei de espadas, um ás de ouros e um quatro de paus. Assim, apostou mais dois mil reais. A loira, com um grunhido de desdém, mexeu o seu drink com o dedo e abandonou o jogo. O estrangeiro aumentou a aposta em mais dois mil, fazendo com que o vereador também jogasse as cartas fora. O senhor de barba grisalha pagou.

     

    No turn, um sete de paus. E nova rodada de apostas, com o volume de dinheiro na mesa aumentando. Quando o river foi revelado, um quatro de copas, não teve dúvidas: “all in”. Mais do que o dinheiro, era a dignidade que estava em jogo. Tinha uma trinca de ases, e não admitia perder a mão. Estava convicto que de a rodada marcaria o início da reação, para voltar para casa com orgulho de dever cumprido.

     

    Líder em fichas, o estrangeiro com chapéu panamá não teve problemas em pagar os dez mil reais. O senhor de barba grisalha, depois de olhar bem o seu jogo, também resolveu pagar.

     

    Com ar de superioridade, jogou os dois ases na mesa. “Filho da puta”, falou o estrangeiro, em bom português, virando os seus dois reis. Já ia pegar as fichas quando viu o senhor de barba grisalha, quase constrangido, mostrar dois quatros. Era a única combinação que o vencia.

     

    A partir daí, as coisas ficaram confusas. O barulho das fichas sendo recolhidas tornou-se ensurdecedor. Atônito, encaixou de novo os óculos na cara e se despediu um a um dos companheiros de mesa. Antes de sair, ainda tropeçou numa garrafa vazia, mas não caiu.

     

    A noite o recebeu desafiadora. Um vento gelado o fez encolher. E no abraço do agasalho, começou a pensar em como iria contar para a mulher que perdera todo o dinheiro guardado para a faculdade do filho que iria nascer na semana seguinte.

     

    (Publicado originalmente no finado Major Tom no dia 19/04/07. Um calhauzinho, de vez em quando, não faz mal a ninguém. Principalmente nos dias que a saúde não anda muito boa e as ideias originais estão meio fracas)



    Categoria: Contos
    Escrito por Lello Lopes às 20h50
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    Watchmen - Quem vigia os vigilantes?

    “Quem vigia os vigilantes?” A pergunta é válida, sobretudo agora que vivemos em uma sociedade onde todo mundo vigia todo mundo. E se todos se acham no direito de dar pitaco na vida alheia, ficam a um passo de atitudes mais extremas. O totalitarismo é apenas uma questão de oportunidade.

     

    O grande mérito de Watchmen (gibi e filme) é mostrar uma sociedade sem arquétipos. O bem e o mal caminham lado a lado sobre uma linha tênue, se confundindo e fundindo. A ficção então se confunde com a realidade e vice-versa.  E fica claro que o destino do mundo poderia ter sido outro se não fossem meros detalhes.

     

    O filme tem os seus defeitos. É coreografado e longo demais, sendo que em alguns momentos quase chega a ser chato. Mas vale a pena passar três horas no cinema só para perguntar: quem vigia os vigilantes? E quem está no controle?

     

    P.S.: Para uma opinião mais embasada, sugiro ler a matéria escrita pelo Pedro Cirne para a Ilustrada. Ele é um especialista no assunto.

     

    P.S.1. Quem viu o filme e leu o gibi pode se divertir com a paródia abaixo. Quem não leu o gibi ou viu o filme, tome cuidado com spoilers.



    Categoria: Entretenimento
    Escrito por Lello Lopes às 19h37
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    Clodovil e a redenção dos mortos

    Divulgação

    Depois de um final de semana longe do computador, por um excelente motivo, eis que vejo a notícia de que o ilustríssimo deputado-apresentador-costureiro Clodovil Hernandes está nas últimas. E povo já chora a partida dele. Que bosta.

     

    Eu não entendo porque morrer faz as pessoas virarem santas. O tal do Clodovil é um arrogante de maior grau, que passou a vida inteira pisando em cima dos outros. Agora, só porque está com o pé na cova, virou um coitadinho. Baita hipocrisia.

     

    Na época em que eu estudava na Cásper, dez anos atrás, o Clodovil tinha um programa na TV Gazeta. Quando a moçoila chegava ao prédio, ninguém podia subir no elevador porque ele não queria dividir o espaço com ninguém.

     

    Agora que o fulano tá morrendo, ele virou bonzinho? É sempre assim, até parece que a morte é redenção pra alguma coisa. O cazzo. Sinceramente, quero que se dane. Morreu? Antes ele do que eu.



    Categoria: Cotidiano
    Escrito por Lello Lopes às 21h11
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    Um bando de loucos – O Fenômeno

    Foi num passeio de barco em Paraty que ouvi a notícia: o Corinthians tinha contratado o Ronaldo. “Como assim?”, pensei. Afinal, ele tava treinando no Flamengo. Não tinha nem boato sobre a ida dele pro Corinthians. À noite, no hotel, já estava a notícia na TV. No dia seguinte, na capa dos jornais cariocas. E desde então só se fala nisso no mundo esportivo brasileiro.

     

    Sempre quis que ele jogasse no Corinthians. Uns dez anos atrás achei que ia ser mais fácil. Afinal, ele casou com uma corintiana roxa, a Milene Domingues, rainha das embaixadinhas (aliás, ela deu entrevista no Esporte Espetacular e está falando que nem o Roberto Carlos, num português incompreensível). Mas os dois se separaram e daí a esperança foi pras cucuias. Até o final do ano passado.

     

    É claro que muitos duvidavam do Fenômeno. Afinal, no último ano ele tratou de jogar a carreira no lixo. Depois da enésima lesão no joelho Ronaldo passou a freqüentar as páginas de fofocas e policiais, pelo seu excesso de peso ou por seu envolvimento com “damos” da noite.

     

    Mas o Ronaldo já provou uma vez que pode se recuperar. Se por um lado enfrenta dramas terríveis, como o joelho quase pulando para fora da perna ou uma convulsão no dia da final da Copa, por outro sabe reagir como poucos.

     

    A estreia lá em Itumbiara foi discreta. Obra do “Deus da Pauta”, como diz um amigo meu. Ronaldo tinha que ‘estrear’ de fato contra o Palmeiras. E tinha que marcar um gol no último minuto de jogo. E tinha que salvar o time da derrota. Mais Corinthians, impossível.

     

    Isso tudo fez a Fenomenomania explodir. No domingo, o gol do Gordo foi manchete da Gazzetta dello Sport, talvez o principal jornal esportivo do mundo. Na segunda, amigos torcedores de Santos, Bahia e Flamengo confessaram que se emocionaram com o gol. Todos, sem exceção, fazem parte da metade do Brasil que odeia o Corinthians.

    A corintianada estamos em êxtase. O meu irmão disse que chorou quando o Ronaldo entrou em campo lá em Goiás. Meu amigo que cobriu o jogo em Presidente Prudente teve que segurar as lágrimas. Eu, no meio do plantão, também. E assim foi, por todo país.

     

    Se o Ronaldo recebesse um real por cada vez que o gol contra o Palmeiras fosse exibido pela TV ele estaria muito mais milionário. O vídeo abaixo mostra algumas versões narradas em diferentes países, como Itália e Líbia.

     

    Nesta quarta, Ronaldo provocou novo frenesi no Pacaembu. O estádio ficou lotado, mesmo com ingressos chegando a custar obscenos 150 dinheiros. Mas quem foi não se arrependeu. Ele marcou mais um gol, da virada sobre o São Caetano. Em uma palavra: Fenômeno.

     



    Categoria: Esportes
    Escrito por Lello Lopes às 00h49
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    Meme: 666

    Tá bom. Ei vi no blog da Marília e no do Doni e resolvi fazer este memezinho também.

    1 - Vá à sua pasta de fotos no computador.
    2 - Vá ao sexto arquivo de fotos e procure pela sexta foto.
    3 - Coloque essa foto no blog e escreva alguma coisa sobre ela
    4 - Convide seis amigos para participarem e fazerem o mesmo

    Bom, a foto 'escolhida' foi esta:

     Eu sei, a foto tá uma merda. Mas representa um momento legal. Foi tirada em junho de 2007, na segunda edição do WPFC (World Poker Fifa Championship, ou Campeonato Mundial de Pôquer). Eu, mesmo tendo vencido a primeira edição do campeonato, ainda era desacreditado na mesa, graças ao desempenho ruim na era amadora do torneio (quando ele não tinha a chancela da Fifa). Por isso, jogava para provar de uma vez por todas que não tinha vencido na sorte. Regado a muito uísque em copa plástico, como quase se pode ver na foto, e com a boina da sorte, liderei a noite de ponta a ponta. No final, uma quadra de cinco do "Boina" bateu um full hand do Sharpen e me garantiu o bicampeonato.

    Ficou curioso para saber como foi aquela noite, leia o relato do pôquer no finado Major Tom. Tá com preguiça, então pelo menos dê uma espiadinha no vídeo:

     



    Categoria: Cotidiano
    Escrito por Lello Lopes às 23h44
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    Bodas de papel

    Já faz um ano que tomei um avião de manhãzinha rumo a Foz do Iguaçu. Na bagagem, além da vaca radioativa e outras lembrancinhas, levava a ansiedade e a esperança. Levava o sonho, a paixão, o desejo. Levava a entrega plena e feliz.

     

    Nem parece que já faz um ano. Ainda sinto o frio na barriga durante a espera no aeroporto. O calor do abraço mais tenro do mundo. E o beijo que fez as coisas ganharem cores e formas de verdade.

     

    Um ano de contagens regressivas. Para Foz. Para o próximo final de semana. Para as férias. Para 2011. Um ano de planos, conhecimentos, confidências, saudades. Um ano de caminho certo. Um ano que não passo um dia sem ter orgulho de dizer: EU TE AMO!



    Categoria: Cotidiano
    Escrito por Lello Lopes às 00h55
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    A crise

    Alencar passava por um momento difícil. Problemas no trabalho. Medo de desemprego. Aumento de preços. E uma enxaqueca crônica.

    - É a crise – dizia.

    E a bendita crise atacava em casa. Alencar já não satisfazia mais a Dulcinéia. Sempre preocupado com os rumos da economia. Deixou de ser um amante voraz na cama. Agora passava horas em frente à TV.

    - Precisamos saber o que está acontecendo.

    Mas Dulcinéia tinha as suas necessidades. Morena de coxas grossas, logo arrumou um caso. Janjão, que trabalhava no açougue.

    Os dois se encontravam todo final de tarde. No próprio açougue, em cima da tábua de carnes.

    - Vem, meu negão, vem acabar com a minha crise.

    As ausências seguidas de Dulcinéia deixaram Alencar desconfiado. Um dia ele seguiu a esposa. E pegou a mulher no flagra. Transtornado, agarrou um cutelo. Dois golpes em Dulcinéia. Três em Janjão.

    A polícia chegou e Alencar ainda estava com o cutelo na mão. Vendo notícias na TV. O dólar tinha acabado de subir. Coisas da crise.

     

    Essa é uma historinha baseada nas crônicas de Voltaire de Souza. Para quem não sabe, Voltaire de Souza é um pseudônimo do jornalista Marcelo Coelho (membro do Conselho Editorial da Folha e meu professor de Jornalismo Algumacoisa na Cásper) que escrevia no finado Notícias Populares e hoje tem uma coluna no Agora. As crônicas do NP, que saíram até em livro (eu tinha, mas ele se perdeu emprestado por aí), eram mais parecidas com essa acima, com mais sangue e drama. As do Agora são um pouco mais pasteurizadas. Prefiro as primeiras. De qualquer forma, o Marcelo Coelho, em seu blog, colocou recentemente algumas crônicas publicadas no Agora.  Vale conferir.



    Categoria: Contos
    Escrito por Lello Lopes às 00h20
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