BBB9: a vitória do machismo

Foto: Globo/Divulgação
Tenho a ideia de criar um blog chamado ‘A Pauta Caiu’, pra usar todas aquelas matérias que são jogadas no lixo depois de um gol no último minuto ou de uma surpresa na partida final. Se ele já existisse, com certeza teria lugar para o post que deveria ocupar esse espaço.
Estava escrevendo justamente sobre a vitória da Priscila no BBB9, que seria a primeira de uma gostosa no reality show, quebrando um histórico que a meu ver é relacionado ao machismo da sociedade brasileira.
As pesquisas indicavam que a jornalista ganharia de lavada, com quase o dobro de votos do segundo colocado. Mas no final das contas quem faturou o milhão foi o Max, com uma vantagem de 0,24 ponto percentual sobre a Priscila.
A questão nem é se o Max merecia ou não o prêmio, ou se existe ou não maracutaia. Acho até que entre os ganhadores de todas as edições do BBB ele é um dos mais carismáticos e cultos (duvido que muitos outros saberiam, por exemplo, que antes do BBB o Pedro Bial era um repórter fodástico, que tinha no currículo a emblemática cobertura da queda do Muro de Berlim).
O problema é que, mais uma vez, o machismo da sociedade brasileira aparece travestido de sabedoria popular. Tenho certeza que a Priscila não ganhou porque é gostosa. Tenho a teoria de que até hoje nenhuma gostosa venceu o BBB por dois motivos: as mulheres eliminam as gostosas por ciúme ou despeito, enquanto os homens as eliminam para vê-las mais rápido na Playboy ou porque elas são apenas objetos de admiração.
As duas únicas gostosas que tinham chegado perto do título eram bem diferentes da Priscila. A Grazi, vice-campeã do BBB5, e a Mariana Felício, segunda colocada no BBB6, conquistaram a simpatia do público por serem recatadas. Perderam para dois estereótipos: o homossexual perseguido, no primeiro caso, e a pobre, no segundo.
Já a Priscila é lasciva. No programa todo abusou da sensualidade, ficando numa linha tênue com o vulgar. E em nenhum momento se escondeu num falso moralismo. Como se dissesse “sou gostosa, e daí? Tem algum problema nisso?”
Ao mesmo tempo, mostrou aquilo que o povo adora ver na TV: fidelidade aos amigos, coragem, perseverança. Isso a levou até a final. Mas no momento decisivo, o fato de ser gostosa pesou contra. Ganhou a única coisa que mulher gostosa ganha neste país: um belo nabo (com o perdão da palavra).
Sorte do Max. Que aproveite bem o milhão conquistado. E para a Priscila resta sempre a solução de ganhar dinheiro expondo o corpo em revistas masculinas ou, se for um pouquinho mais ousada, em filmes de sacanagem. Para a felicidade geral da nação.