Nasceu o Diabo em São Paulo
"Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz num hospital de São Bernardo do Campo, a uma estranha criatura, com aparência sobrenaturais, que tem todas as características do Diabo, em carne e osso. O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, tem o corpo totalmente cheio de pelos, dois chifres pontiagudos na cabeça e um rabo de aproximadamente cinco centímetros, além do olhar feroz, que causa medo e arrepios."
Começava assim, extamente 34 anos atrás, uma das maiores lendas do jornalismo brasileiro. Nascia o Bebê Diabo, criação do saudoso jornal Notícias Populares, que até hoje é sinônimo de sensacionalismo.
A história foi criada num plantão de final de semana. Sem nenhuma notícia que prestasse para manchetar, o editor resolveu dar destaque ao nascimento de uma criança com deformidades. É claro que o encanto do NP estava no molho em que tratava este tipo de assunto. E o molho foi dado pelo repórter Waldemar de Paula, que escreveu a "matéria".
O resultado foi o maior sucesso comercial da história do NP. Quando o jornal circulou, naquele domingo 11 de maio, a história já estava esquecida na redação. Entretanto, o encalhe inédito de apenas oito exemplares nas duas mil bancas da Grande São Paulo fez com que os editores resolvessem prosseguir com a história.
No dia seguinte, o NP soltou outra manchete sobre o assunto: Bebê-Diabo desaparece. Mais uma vez a procura foi enorme. E os leitores chegaram a procurar o jornal para dar pistas sobre o paradeiro do tinhosinho.
A história permaneceu na capa do jornal por 27 dias, sendo 16 deles na manchete. Até mesmo o Zé do Caixão entrou no rolo, quando o filho do coisa ruim acabou indo parar no Nordeste!
Mas como toda farsa tem o seu fim, a do Bebê Diabo também acabou. Os leitores passaram a se desinteressar pelo caso e o jornal voltou ao patamar inicial de vendagem. Assim, como surgiu, o demozinho sumiu sem deixar vestígios.
De qualquer forma, a marca que o Bebê Diabo deixou ficou impregnada no NP até a morte do jornal, em 19 de janeiro 2001. Aliás, uma das minhas frustrações foi não ter trabalhado lá. E quem quiser saber mais sobre este que, sem dúvida, foi um dos jornais mais charmosos de São Paulo, pode se deliciar com o fabuloso livro "Nada mais que a verdade - A extraordinária história do jornal Notícias Populares", dos jornalistas Celso de Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima.
P.S. Texto originalmente publicado no dia 10/05/2004