Lello Lopes conquista o penta do WPCF e é o melhor da história do pôquer

Lello Lopes
Em São Paulo
Alguns dias são marcados na história. O 11 de Setembro, o Assassinato do Kennedy, a Chegada do Homem à Lua, a Queda do Muro de Berlim. Agora, uma outra data entra para a seleta lista de momentos históricos. O 23 de Outubro de 2009 vai ficar para sempre marcado como o dia em que o mundo conheceu o seu mais brilhante jogador de pôquer, Lello Lopes. Com uma estratégia certeira e uma virada espetacular no final, Lello conquistou o pentacampeonato do World Poker Fifa Championship (WPFC) e assegurou a posse definitiva do mítico Troféu Agepê, colocando o seu nome de vez no cânone do esporte mundial.
"Eu sou foda. Chupa, chupa, chupa. Chupem todos", desabafou Lello Lopes, em tom maradoniano, assim que a contagem das fichas terminou, para desespero de seus rivais, principalmente o patético Renato Rodriguez. "Eu não acredito. Qualquer um poderia ganhar, menos o Lello. Essa é a prova que Deus não existe", lamentou Sharpen.
Religiosidade à parte, apenas cinco fichas separaram o campeão do segundo colocado, Daniel Pinheirão. Leo Ewald Mansell ficou em terceiro lugar, seguido por Sharpen. Os outros quatro participantes (Pedro Cirne, Rodrigo Flores, Roque Santa Cruz e Márcio Pinheirinho) também chegaram -e sobreviveram- ao totally wild, fato inédito no WPFC.
Com tanta gente na disputa, a decisão só poderia acontecer na última mão. E, cabalisticamente, uma trinca de 5 deu a Lello o seu quinto título no WPFC, encerrando um ciclo iniciado em meados de 2006 com a realização do primeiro torneio mundial de pôquer com a chancela da Fifa. "O cara ganhou cinco títulos. Não tem o que falar, ele realmente mereceu ficar com o troféu", reconheceu o tetracampeão Flores, o único competidor nesses anos todos que deu um certo trabalho para Lello Lopes na disputa do Troféu Agepê.
Para quem não se lembra, Lello ganhou os dois primeiros campeonatos mundiais, credenciando-se desde cedo como o principal candidato a levar para casa o Troféu Agepê. A frase "Não vejo ninguém na minha frente" foi dita tantas vezes que virou bordão e hoje estampa camisetas por todo o país. De fato, Lello sempre saiu das etapas em primeiro lugar na classificação geral. Mesmo na má fase, quando ficou meses sem subir ao pódio, não foi alcançado pelos adversários.
Assim, o pentacampeonato era questão de tempo. No Mundial passado, Lello jogou mal e foi eliminado logo de cara. Para surpresa de todos, deixou o Monumental da Pompéia muito antes do totally wild. "Aquele dia eu precisei sair do campo de jogo para refletir. Fui para um retiro da Cientologia no bairro da Penha para meditar. Fiquei uma semana assim, o que foi fundamental para recuperar a confiança e a tranquilidade. Graças a isso estou aqui com esse troféu reluzente nas mãos", explicou Lello Lopes.
E o campeão precisou mesmo de confiança e tranquilidade para conquistar o título. Depois de uma boa jogada logo no início, as cartas deixaram de cair nas mãos de Lello. O cacife do Boina foi diminuindo gradativamente, enquanto Cirne, Pinheirão, Roque e Pinheirinho disputavam a liderança.
Sharpen entrou na lista de postulantes ao título ao tirar o maior jogo de todos os tempos, um straight flush, que acabou com as últimas 25 fichas do primeiro cacife de Mansell. E a jogada quase caiu no esquecimento porque Sharpen não percebeu a mão que tinha. Sorte dele -e do WPFC- que foi avisado por Lello. "Nossa, ainda bem que eu não vi. Se eu tivesse visto essa mão eu teria tremido tanto que ia dar na cara o que eu tinha", afirmou Sharpen, não por acaso o homenageado com o Troféu Sharpada eterno.
A sorte de Lello -e a história do Mundial- começou a mudar quando Cirne trocou o baralho. As novas cartas, maiores, passaram a sorrir para o campeão, que empatou duas jogadas e ganhou uma outra, garantindo fichas para o pingo duplo. Antes do totally wild, Lello teve uma boa vitória em um blefe sobre Sharpen, aumentando um pouco o seu cacife.
Quando o relógio badalou 3h30, o suspense tomou conta do Monumental da Pompéia. Quase todos os participantes já havia dado um rebuy e mesmo assim permaneciam com chance de título. Sharpen e Pinheirão eram os líderes da mesa, mas não poderiam jogar defensivamente. Lello, bem atrás, precisa ganhar algumas boas mãos para se manter vivo. E conseguiu.
O perde e ganha nas rodadas aumentou ainda mais a tensão. O ar ficou sufocante, apesar da restrição ao cigarro, charuto e otras cositas mas. Dava para ouvir o suor escorrendo nos rostos cansatos e sérios dos competidores.
Foi nesse clima que Flores, o detentor do horário oficial do Mundial, anunciou a última jogada. Pinheirão estava na frente, com Leo em segundo e Sharpen em terceiro. Lello era apenas o quarto colocado, cem fichas atrás do líder. Para complicar ainda mais a situação do Boina, após os pingos a cláusula de barreira era de somente três fichas, graças ao desempenho pífio do anfitrião Pedro Cirne.
O flop foi bom para Lello, que fez um par de cinco. Melhor ainda para Flores, que marcou dois pares, com rei e valete. Todo mundo apostou três fichas, menos Cirne, que desistiu do jogo, demonstrando um incrível fair play. O turn exibiu um outro cinco, deixando Lello com uma trinca nas mãos. Flores, que achou que estava dominando a mão, apostou 23 fichas, forçando Lello a dar um all in. O Boina não hesitou e jogou todas as suas fichas na mesa. Como o river foi uma carta nada a ver, Lello encheu o pote.
A contagem das fichas gerou uma grande expectativa. Afinal, poucos acreditavam que Lello pudesse virar o jogo. No total, o Boina conseguiu 135 fichas. Enquanto isso, Pinheirão erguia os seus montes. Mas como devia um cacife teve que deixar de lado 50 fichas. No final, o representante santista contabilizou 130 fichas. Foi a senha para que a festa de Lello começasse, com direito a buzinaço na Paulista, fogos de artifício nos céus da cidade, canções compostas por menestréis e sacrifício de virgens. Tudo o que um pentacampeão mundial merece.
Premiação
Troféu Agepê - Lello Lopes (posse definitiva para todo o sempre até o final dos tempos)
Troféu Felipe Massa - Daniel Pinheirão, por perder o título mundial na última curva
Troféu Palmirinha - Rodrigo Flores, por ter levado tequila boa e a segunda pimenta mais forte do mundo
Troféu Levy Fidelix - Roque Santa Cruz, por ser partido de aluguel do Flores
Troféu Poker Face - Márcio Pinheirinho, pela discrição ao sair com um par de reis
Troféu Maior Jogo de Todos os Tempos - Renato Sharpen, por ter feito o maior jogo de todos os tempos
Troféu Pior Jogador de Todos os Tempos - Renato Sharpen, por perder o Mundial mesmo após o maior jogo de todos os tempos
Troféu Madre Teresa - Pedro Cirne, por abdicar de jogar a última mão, dando chance para que Lello Lopes conquistasse o título
Troféu Pinheirada - Léo Ewald Mansell, por quase melar o maior jogo de todos os tempos
Troféu Jeremias - Márcio Pinheirinho, por quase beber uísque no gargalo
Troféu Pompeia Fashion Week - Pedro Cirne, pelo modelito "mindingo framenguista chique"
Troféu Haroldo Seraza - vago
Troféu Cueca da Mãe do Pedro - vago
Manchetes de jornais
Folha de S. Paulo - Com aproveitamento de 68,7%, Lello conquista o penta do WPFC
O Globo - Governo anuncia pacote fiscal para comemorar vitória de Lello no WPFC
O Estado de S. Paulo - Lello supera CUT e PT para ganhar o penta no WPFC
Lance! - Poder sem paraLello
Zero Hora - RS saúda o pentacampeão do WPFC e relembra passagem de Lello por Porto Alegre
Valor Ecônomico - Vitória de Lello no WPFC faz Bolsa de SP disparar
Folha Universal - Com inspiração divina, Lello ganha o penta do WPFC
Meia-Hora - Festa pela vitória de Lello termina com três mortes em boate risca-faca no Grajaú