Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, French
MSN - lellolopes@hotmail.com



Histórico


    Categorias
    Todas as mensagens
     Entretenimento
     Esportes
     Listas
     Contos
     Cotidiano


    Votação
     Dê uma nota para meu blog


    Outros sites
     Bebê Diabo - Fotos
     Blog do UOL Esporte
     Calha
     Casório Pedro e Sá
     Clico, logo existo
     Conversa de Psicólogo
     Enquanto seu blog não vem
     Fiando Conversas
     From Lady Rasta
     Futebol africano
     Guloseima
     Hedonismos
     Laurinha muda de idéia
     Lost in Lost
     Major Tom
     Marcos Donizetti
     Marmota, Mais dos Mesmos
     Maroma na Cozinha
     MC Empada
     Mil Coisas ao Mesmo Tempo
     Nossa, Canossa!
     Paris na linha
     Pensar Enlouquece
     Página Virada
     Per a tothom
     Projeto Uhu
     Publicações - Vol. 3
     Recanto da Deusa Doméstica
     Retirante
     Trottolices
     UOL Tablog


     
    Bebê Diabo

    Contos



     
     

    Miniconto de Natal

    Peru, farofa e rabanada. Papai Noel finalmente teve um Natal feliz.



    Escrito por Lello Lopes às 19h14
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: O futuro

    Tentou traçar um caminho para a vida, mas acabou a tinta.



    Escrito por Lello Lopes às 12h40
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: A pressa

    Saiu correndo e deixou as coisas inacabad



    Escrito por Lello Lopes às 14h25
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: O sábio

    Para o espanto de todos, saiu do coma, olhou ao redor e voltou a dormir.



    Escrito por Lello Lopes às 22h58
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: A noite

    Um brilho na noite. Um tiro. E a escuridão total.



    Escrito por Lello Lopes às 20h38
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: Mudança de vida

    Com medo da gripe suína, virou vegetariano.



    Escrito por Lello Lopes às 00h21
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: Sábado à noite

    Com você, o céu tem gosto de martini.



    Escrito por Lello Lopes às 20h27
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: O beijo

    Fechou os olhos, abriu a boca e ganhou o mundo.

    PS.: Esse miniconto serve para homenagear todos os beijoqueiros neste 13 de abril, o Dia do Beijo



    Escrito por Lello Lopes às 23h53
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: Brasil-sil-sil

    A esperança venceu o medo. A realidade matou a esperança.



    Escrito por Lello Lopes às 23h56
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto: O Sonhador

    Adorava sonhar acordado. Morreu dormindo.



    Escrito por Lello Lopes às 13h13
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    All in

    A mão suada alisou as cartas, sem coragem de virá-las. O clima no apartamento apertado do centro estava abafado. E ele mal conseguia respirar, engasgado pelo cheiro do charuto barato. Já havia perdido muito dinheiro na noite, coisa que nem a garrafa vazia de uísque ao seu lado o fazia esquecer.

     

    Agora, tinha poucas fichas e pouca esperança. Nunca fora um grande jogador. Em uma ou duas noites de sorte, conseguiu sair vencedor. Na maioria das vezes, terminava a jornada sem grandes perdas. E ia comemorar com prostitutas baratas. Mas hoje era diferente. As cartas simplesmente não vinham. Um par de valetes foi a sua melhor mão na noite. Pouco, muito pouco para quem apostou tão alto.

     

    Enquanto pensava nas chances perdidas, acariciava as cartas à sua frente. Um toque sensual, tenro, carinhoso, primeiro com o indicador, depois com o dedo médio, como se quisesse chamar a sorte de canto para uma conversa. E repetia o ritual, tantas vezes quanto fosse necessário, até ter sua vez de jogar.

     

    E a vez chegou. Como um ladrão, olhou para os lados para ver se não estava sendo observado. E puxou a primeira carta, um ás de espadas. Um arrepio gelado subiu-lhe pelas costas, e se transformou em tremor quando viu que a segunda carta também era um ás, de copas.

     

    Fez um esforço sobre-humano para se manter impassível. Mas não conseguiu controlar a vontade de arrumar os óculos sobre o nariz, como sempre fazia quando estava excitado.

     

    Com o melhor jogo nas mãos, não quis assustar os adversários. Pegou dez fichas azuis e colocou no centro da mesa, apostando mil dos dez mil reais que ainda sobrara. Já tinha perdido oitenta mil, e via agora a grande possibilidade de recuperar boa parte do dinheiro.

     

    Outras cinco pessoas estavam na mesa. O gordo ao seu lado, desconfiado, logo jogou as cartas foras, mas a moça loira com sotaque gaúcho, o estrangeiro com chapéu panamá, o vereador de Pindamonhangaba e o senhor de barba grisalha cobriram a oferta e seguiram no jogo.

     

    Se a situação já estava boa, melhorou ainda mais no flop: um rei de espadas, um ás de ouros e um quatro de paus. Assim, apostou mais dois mil reais. A loira, com um grunhido de desdém, mexeu o seu drink com o dedo e abandonou o jogo. O estrangeiro aumentou a aposta em mais dois mil, fazendo com que o vereador também jogasse as cartas fora. O senhor de barba grisalha pagou.

     

    No turn, um sete de paus. E nova rodada de apostas, com o volume de dinheiro na mesa aumentando. Quando o river foi revelado, um quatro de copas, não teve dúvidas: “all in”. Mais do que o dinheiro, era a dignidade que estava em jogo. Tinha uma trinca de ases, e não admitia perder a mão. Estava convicto que de a rodada marcaria o início da reação, para voltar para casa com orgulho de dever cumprido.

     

    Líder em fichas, o estrangeiro com chapéu panamá não teve problemas em pagar os dez mil reais. O senhor de barba grisalha, depois de olhar bem o seu jogo, também resolveu pagar.

     

    Com ar de superioridade, jogou os dois ases na mesa. “Filho da puta”, falou o estrangeiro, em bom português, virando os seus dois reis. Já ia pegar as fichas quando viu o senhor de barba grisalha, quase constrangido, mostrar dois quatros. Era a única combinação que o vencia.

     

    A partir daí, as coisas ficaram confusas. O barulho das fichas sendo recolhidas tornou-se ensurdecedor. Atônito, encaixou de novo os óculos na cara e se despediu um a um dos companheiros de mesa. Antes de sair, ainda tropeçou numa garrafa vazia, mas não caiu.

     

    A noite o recebeu desafiadora. Um vento gelado o fez encolher. E no abraço do agasalho, começou a pensar em como iria contar para a mulher que perdera todo o dinheiro guardado para a faculdade do filho que iria nascer na semana seguinte.

     

    (Publicado originalmente no finado Major Tom no dia 19/04/07. Um calhauzinho, de vez em quando, não faz mal a ninguém. Principalmente nos dias que a saúde não anda muito boa e as ideias originais estão meio fracas)



    Escrito por Lello Lopes às 20h50
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    A crise

    Alencar passava por um momento difícil. Problemas no trabalho. Medo de desemprego. Aumento de preços. E uma enxaqueca crônica.

    - É a crise – dizia.

    E a bendita crise atacava em casa. Alencar já não satisfazia mais a Dulcinéia. Sempre preocupado com os rumos da economia. Deixou de ser um amante voraz na cama. Agora passava horas em frente à TV.

    - Precisamos saber o que está acontecendo.

    Mas Dulcinéia tinha as suas necessidades. Morena de coxas grossas, logo arrumou um caso. Janjão, que trabalhava no açougue.

    Os dois se encontravam todo final de tarde. No próprio açougue, em cima da tábua de carnes.

    - Vem, meu negão, vem acabar com a minha crise.

    As ausências seguidas de Dulcinéia deixaram Alencar desconfiado. Um dia ele seguiu a esposa. E pegou a mulher no flagra. Transtornado, agarrou um cutelo. Dois golpes em Dulcinéia. Três em Janjão.

    A polícia chegou e Alencar ainda estava com o cutelo na mão. Vendo notícias na TV. O dólar tinha acabado de subir. Coisas da crise.

     

    Essa é uma historinha baseada nas crônicas de Voltaire de Souza. Para quem não sabe, Voltaire de Souza é um pseudônimo do jornalista Marcelo Coelho (membro do Conselho Editorial da Folha e meu professor de Jornalismo Algumacoisa na Cásper) que escrevia no finado Notícias Populares e hoje tem uma coluna no Agora. As crônicas do NP, que saíram até em livro (eu tinha, mas ele se perdeu emprestado por aí), eram mais parecidas com essa acima, com mais sangue e drama. As do Agora são um pouco mais pasteurizadas. Prefiro as primeiras. De qualquer forma, o Marcelo Coelho, em seu blog, colocou recentemente algumas crônicas publicadas no Agora.  Vale conferir.



    Escrito por Lello Lopes às 00h20
    [] [envie esta mensagem] []



     
     

    Miniconto de Carnaval

    A esperança caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu.

     

    P.S. A ideia de escrever minicontos me agrada desde que li esta matéria na Ilustrada. O conceito básico é escrever um conto com menos de 50 letras (pontuação e espaços não contam). O primeiro, e meu favorito, é este:


    Fragmentos

    Não sabendo que era impossível, foi lá e não conseguiu fazer.


    Pode parecer bobo, mas é uma das coisas que mais me deixaram feliz em ter escrito. Indica muito sobre o que eu chamo de Síndrome de George Constanza.



    Escrito por Lello Lopes às 00h17
    [] [envie esta mensagem] []



    Pegadas na areia – Morte

    Foi a chuva fina que o acordou. O mundo parecia extremamente difuso. Sabia que as pessoas gritavam, mas não conseguia ouvir. E o chão se tornou um lugar confortável, quase um lar.

     

    Ao lado, estrelas dançavam um balé confuso. Ele sorriu. E o peito doeu intensamente, fazendo-o recuperar um pouco da consciência.

     

    A chuva apertou e trouxe com ela o som da cidade. Sirenes, choro, dor. Um vulto passou apressado por ele, disparando um olhar de nojo e piedade. A coisa estava feia, imaginou. E não se importou.

     

    Tentou virar de lado, mas não conseguiu. Um gosto estranho tomou conta da boca. Azedo, íntimo e desconfortável. No chão, as estrelas se transformaram em pequenos cacos de vidro, mas continuavam a dançar.

     

    Com o olhar fixo nas ex-estrelas, ele nem percebeu a chegada da moça. Mesmo à noite e sob chuva, ela era bela. Belíssima. A pele era clara e contrastava com o cabelo incrivelmente preto. Os olhos, também negros, eram sagazes e carinhosos. No peito, cobrindo um farto decote, brilhava uma ankh.

     

    - Olá – ela disse, em um tom jovial que retumbou em todo o quarteirão. – Eu sei que tudo está confuso, mas logo logo isso vai acabar. Está pronto?

     

    Ele finalmente conseguiu virar o pescoço. E a viu, brilhando sob a luz do poste. Ao fundo, conseguiu vislumbrar o carro capotado. – Ei, você sabe quem eu sou? – foi a primeira coisa que conseguiu dizer.

     

    - Sei. E é por isso que estou aqui – respondeu, com ternura.

     

    Uma súbita compreensão tomou conta dele. E um vazio muito grande o fez chorar. Logo agora que as coisas tinham se acertado, que iria ser pai pela primeira vez, que estava de fato feliz.

     

    - Não é justo, não agora, ainda não é a hora – disse, mas as palavras não saíram, foram pensamentos fortes.

     

    - Vocês sempre acham que nunca é justo, eu sei. Mas as coisas são o que são. É simples assim.

     

    Então ela se curvou e o beijou. Uma explosão de cores e lembranças invadiu a mente dele. O mundo ficou parado por alguns segundos. A dor sumiu. Êxtase total. E a última coisa que ouviu antes de se apagar foi o som de asas.



    Escrito por Lello Lopes às 13h22
    [] [envie esta mensagem] []



    Pegadas na areia – Destino

    A estrada serpenteia a montanha em curvas bonitas e perigosas. A vista compensa o risco. Ele sabe e saboreia, como um doce de infância que dá dor de dente. Sem ter para onde ir, o que resta é exatamente isso: vista e risco.

     

    No pé da serra, a estrada se divide em três. Sem placas, sem orientação. Como havia pedido. Caminho sem volta. Uma viagem até acabar a gasolina, ou até o Santanão pedir arrego.

     

    Um velho cego caminha descalço pelo acostamento. Ele não vê o carro, mas sabe o que está acontecendo. Ele sabe de tudo. Por isso ergue as mãos e acena, desejando boa sorte ao viajante.

     

    O motorista só vê o cego pelo retrovisor. O que mais o espanta não é o jeito maltrapilho do sujeito, ou o fato do rosto estar carcomido pelo tempo. O que o assusta é o pesado livro que o cego tem acorrentado no braço.

     

    Ele liga o rádio do carro. A música alta o acalma e distrai. O ar puro do campo o reconforta. O cego vira apenas uma lembrança pálida, esfumaçada. Uma lembrança perdida entre outras, de coxas ingratas e de beijos sem amor. Uma lembrança que não voltará à tona. Como as outras.

     

    O motorista segue o caminho. Ele ainda não sabe para onde. E não se importa. Só quer ir em frente, sem medo, porque acredita que no final da estrada terá o que procura.

     

    Enquanto isso, no acostamento, o cego sorri. Ele sabe de tudo.



    Escrito por Lello Lopes às 14h49
    [] [envie esta mensagem] []




    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]